Letreiros neon

Vermelho e azul, motel, brilha só no cinza escuro do céu.

Olá, vocês que me lêem? Como tem sido esses quatro anos e meio dentro de uma semana para você? Pra mim tá passando rapidinho. Nem sei quanto tempo faz que enviei a última carta.

.mundos

Aqui da janela nova tem um neon muito brilhante vermelho e azul. MOTEL IBIZA, diz o letreiro. A luz é bem forte e bonita. Será que luz neon atrai aqueles insetinhos de luz? Olhando pela janela nova eu fiquei meio hipnotizado pelo neon à noite. Passei a reparar na fonte. Muito bonita a fonte. Fiquei me perguntando como colocaram esse gás dentro de um vidro todo bonito e desenhado que forma letras para brilhar no escuro da cidade e chegar até minha janela nova.

Um cientista um dia resolveu resfriar o ar da atmosfera até ele virar um líquido. Depois ele esquentou esses líquidos até virarem gases. Assim ele descobriu o criptônio, o xenônio e o neônio, o gás neon. É engraçado ele ser primo do xenon, né? É você aprendendo química no Need For Speed Underground 2. Disse uma frase bonita.

“a chama da luz vermelha contou a própria história”.

Será que todo mundo que descobre coisas fala frases bonitas? Nem todo gênio é frasista, mas todo grande frasista é gênio, eu acho. Ele falou essas bruxaria aí e depois toda a indústria da publicidade começou a fazer coisas bonitas quase artesanais de vidro e colocava esse gás dentro do vidro moldado e dava um jeito de ascender. Será que foi assim que fizeram o letreiro do Motel Ibiza?

.afetos

Enquanto escrevo o primeiro rascunho dessa epístola virtual, alterno abas conversando com minha noiva e meus amigos. Um deles me conta que ficava acordado até a madrugada para gravar filmes daqueles considerados filmaços que só tinham esse espaço na grade.

Globo tinha isso: Corujão I, Corujão II, Sessão de Gala, Domingo Maior etc.

Tiago me contou que os melhores passavam no Corujão II, por volta das 3 da manhã. Eu não gravava fitas k7 ou fitas VHS. Não obstante, eu também acompanhava o Corujão II. Não porque ficava acordado até esse horário, mas porque acordava nesse horário. Foi assim que assisti Arrested Development nas madrugadas na Globo. O seriado queridinho da galera das comédias alternativas morou na minha memória como “aquela série que passava na madrugada da Globo em que um menino vendia banana”. O menino era o Michael Cera.

Toda essa digressão (e também a conversa com meu amigo Tiago) era sobre como a TV aberta influenciou nossos gostos e como esses gostos fizeram de mim o que eu sou hoje.

.polaroid

Vou deixar aqui pra vocês uma apresentação que meu amigo Tiago mandou. Ele também viu essa apresentação na TV Cultura lá pelos velozes anos 90. Ele gravou essa apresentação em um VHS.

Gosto do Eric Clapton mas lembro dele frequentemente como o sujeito que corneou o George Harrison.

.tchau

Eu me esforço muito para entender que números não são tudo e vocês com frequência me fazem ter certeza disso. Essa carta vai com muito carinho pra todo mundo que me lê. Pode responder como responde um e-mail normal. Vou gostar muito de ouvir de vocês aí. Se vocês gostaram do que eu escrevo aqui ou se já leem com alguma frequência, por que não compartilhar essa carta com as pessoas que você gosta e acha que podem gostar dos ensaios aqui publicados.

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A frequência dessa carta é meio mambembe, mas isso também faz parte de como eu gosto que vocês recebam, assim de surpresa. É também como eu sou e você sabe, o Wing Costa.